Colégio Divina Providência
Obra Dom Orione
Apresentação
É com grande alegria que apresentamos o Pastoral Político Pedagógico (P4) do Colégio Divina Providência do Rio de Janeiro – Obra Dom Orione. Este projeto é fruto do trabalho de todos nós que fazemos parte deste Colégio.
Estamos inseridos no carisma do fundador da Pequena Obra da Divina Providência (Dom Orione) que não deixou uma obra acabada, mas um grande ideal educativo, e nós queremos, com criatividade, ser fiéis ao projeto orionino e darmos também a nossa contribuição.
O projeto é pastoral porque somos um Colégio religioso confessional católico. As nossas obras devem ser um púlpito de evangelização.
É político porque está direcionado para uma intervenção concreta na nossa prática educativa, com atitudes claras e bem definidas.
É pedagógico porque somos educadores, responsáveis pela formação das crianças, dos adolescentes e dos jovens que nos são confiados e desejamos oferecer uma educação de excelência.
Neste ano de 2007, completaremos 81 anos e queremos dar a nossa contribuição para a edificação da história do nosso colégio.
O P4 é um marco importante, pois é o nosso referencial do que entendemos por educação. O presente trabalho será objeto da nossa prática cotidiana, aberto a estudos e avaliações que possam vir a aperfeiçoá-lo.
O melhor serviço que podemos prestar à sociedade é educar bem os seus filhos. Que Deus nos abençoe neste grande empreendimento!
Pe. Paulo Reis.
Síntese
Aluno: autor e protagonista do processo educativo;
Professor: mediador / facilitador / evangelizador;
Currículo: não só contempla a aquisição do saber, como também desenvolve competências e habilidades;
Conteúdo: significativo para possibilitar aos educandos o desenvolvimento progressivo das competências;
Metodologia: caminhos que possibilitem a aprendizagem;
Disciplina: orienta caminhos para o bem comum;
Avaliação: diagnóstica e processual;
Planejamento: organiza a intervenção;
Aprendizagem: significativa, mediada pelo desejo, favorecendo trocas de experiências.
Marco Referencial
Tempo que se chama hoje
Vivemos em uma sociedade globalizada marcada pela revolução da informação e da tecnologia, pela internacionalização da economia e pela crescente rede das relações humanas e sociais. Estamos diante de um paradigma civilizatório com o qual ainda não aprendemos a lidar. As inovações tecnológicas, científicas e sociais podem contribuir para a transformação e melhoria da realidade humana. No entanto, se mal utilizadas podem trazer conseqüências nefastas para o conjunto da humanidade. O processo de globalização tem evidenciado esta transformação do mundo que muitas vezes favorece apenas a determinados grupos ou setores da sociedade, excluindo os demais.
A revolução tecnológica e científica acabou com os limites divisórios das sociedades e as redes de comunicação e informação encurtaram as distâncias entre as pessoas. A informação acontece em tempo real. Recebemos informações econômicas, sociais e políticas, entre outras, de todas as regiões do mundo, num processo de divulgação cada vez mais rápido. A evolução das ciências humanas e da biotecnologia contribui para uma melhor compreensão do homem e para o melhoramento e prolongamento da vida. O acesso à arte e à cultura possibilita, por conseguinte, um maior acesso ao conhecimento. A conquista da liberdade leva o ser humano a buscar uma sociedade sempre mais democrática, livre de ideologias dominantes e capaz de respeitar as individualidades da pessoa humana.
Todavia, esta sociedade bem informada, exigente, que defende tanto a liberdade, não tem conseguido viver em paz. A perversidade do processo de globalização provocou a marginalização e exclusão das camadas mais pobres e desprotegidas da sociedade, que foram colocadas de fora do processo capitalista de produção e consumo. Essas massas humanas se vêem alijadas de seu direito de desfrutarem dos benefícios das últimas tecnologias e, principalmente, do consumo de bens e serviços cada vez mais sofisticados. Isso gera uma luta desigual pela sobrevivência cotidiana.
Neste modelo de sociedade globalizada sobressaem características como o individualismo, que leva o homem a privilegiar o ter em detrimento do ser, a competitividade, o consumismo, a degradação e descarte dos bens e serviços. Isso tem colocado o ser humano à prova, porque, fechando-se em seu egocentrismo, que coloca à margem a fé na transcendência e que toma em consideração a vida dos outros só quando lhe parece um confronto útil, cria uma cultura não mais na medida do homem social, mas do homem farto de bens.
Inserida nesta sociedade, a escola não pode ficar alheia a esta série de acontecimentos do cotidiano que atua de modo direto e decisivo no processo educativo. A escola deve apropriar-se das informações provenientes da sociedade para transformá-las em conhecimento, e também, utilizar os meios tecnológicos como instrumentos educativos. Conhecimentos estes que levam ao desenvolvimento integral da pessoa humana. Deve ser promotora de valores, tais como: a dignidade da pessoa humana, a justiça, a paz, a liberdade e a solidariedade. Cabe à escola oferecer uma “educação que desenvolva as capacidades intelectuais, criativas e estéticas; o desenvolvimento da capacidade de juízo; a promoção do senso de valores; o apoio das atitudes justas e dos comportamentos adequados; o acesso ao patrimônio cultural conquistado pelas gerações precedentes; a formação para o diálogo e a compreensão das relações humanas”.
Marco Doutrinal
Seguindo a tradição de escola católica e a prática de nosso fundador, Dom Orione, que propõe um sistema educativo cristão paterno, queremos oferecer à sociedade uma educação evangélico-libertadora. Isto é, pela educação queremos anunciar o Evangelho a nossos educandos, difundir a fé e aproximá-los de Deus, contribuindo para formação de bons cidadãos e autênticos cristãos. Para tanto, oferecemos uma educação que tem como finalidade a promoção do educando em sua totalidade, preparando-o para sua inserção na comunidade cristã e na sociedade. Nossa escola não só respeita a organização epistemológica das disciplinas, mas, sobretudo, coloca em evidência o serviço ao homem, dotando-o de um sempre maior conhecimento e responsabilidade no mundo, oferecendo-lhe uma formação cultural que o conscientize a assimilar os valores humanos e cristãos e colocá-los a serviço da transformação da sociedade.
Desejamos uma sociedade fraterna, cristã, solidária baseada no modelo trinitário, sem ódio e sem divisões, onde Jesus é modelo e protótipo do novo homem.
Nossa identidade religiosa é o nosso diferencial. A fé católica não é apenas um ensinamento, e sim um embasamento na formação de bons cidadãos e autênticos cristãos, para que seja um profissional capaz de realizar o seu trabalho com qualidade em prol da coletividade. Pela educação seremos também anunciadores da fé católica neste mundo cada vez mais secularizado, onde a fé e a religião foram colocadas à margem e deixaram de exercer seu papel de promoção e crescimento humano. Distante da fé na transcendência, a sociedade se torna mais egocêntrica e o ser humano assume uma atitude de fechar-se em si mesmo, gerando um conjunto de relações estreitamente utilitaristas que toma em consideração a vida dos outros só quando lhe parece um confronto útil, que cria uma cultura não mais na medida do homem social, mas do homem farto de bens. Todavia, acreditamos que persiste na sociedade e nas consciências uma fé em Deus mais profunda e que aflora quando se toca os valores fundamentais que dão sentido à existência humana: a liberdade, a justiça, o amor, a fraternidade universal, e por isso, desejamos fazer de nossa escola um instrumento de evangelização e promoção integral do ser humano.
Propomos uma educação que favoreça o diálogo, o encontro e o serviço recíproco; que ajude a humanidade a caminhar para a comunhão e não para o individualismo, que valorize a moral, a disciplina, o homem afetuoso, cuidadoso e agente do progresso civil e cristão com maior responsabilidade no mundo.
Para tanto, queremos oferecer uma educação que promova o educando em sua totalidade preparando-o para a inserção na sociedade e na comunidade cristã, a exemplo de Dom Orione que tanto se empenhou para a promoção e a evangelização do ser humano. Queremos contribuir para a promoção integral do homem e sua inserção na sociedade mediante a educação em geral e a formação espiritual que favoreça o desenvolvimento das capacidades intelectuais e criativas, a capacidade de emitir um juízo, a promoção do senso de valores e a formação para o diálogo e a compreensão nas relações humanas.
Portanto, queremos oferecer uma educação que contribua para a renovação e a reunificação da sociedade em Cristo. Para isso, procuramos caminhar à frente dos tempos dialogando com a cultura contemporânea, apresentando uma alternativa na formação do ser humano proporcionando com isso uma educação de qualidade capaz de formar pessoas conscientes e atuantes na vida social e eclesial.
Marco Operativo
Professor
O professor, juntamente com o aluno, forma o núcleo do projeto educativo do Colégio Divina Providência. O professor é o mediador e facilitador do processo de aprendizagem, levando o aluno a organizar seu conhecimento com critérios sadios, tendo como compromisso pessoal promover no educando atitudes capazes de torná-lo pessoa adulta engajada no processo de transformação da realidade, em conformidade com os princípios evangélicos.
O professor do Colégio Divina Providência é aquele que exercita a sua missão na Igreja, vivendo na fé sua vocação secular, na estrutura comunitária da escola. Atento à continuidade de sua qualificação profissional com um projeto apostólico inspirado na fé, para a formação integral do ser humano e na prática da pedagogia orionina (contato direto e pessoal com o aluno, na animação espiritual da comunidade a qual pertence e demais categorias de pessoas com quem está em contato).
O professor deve ser “um leitor de faltas”, aquele que observa onde está uma dificuldade e estimula o aluno a buscar o conhecimento, tornando-o autor do seu próprio desenvolvimento.
O professor torna-se um ponto de referência para o aluno e o seu exemplo de vida favorecerá o desenvolvimento integral do aluno.
Aluno
É a própria razão de ser da escola. É o protagonista primário, isto é, autor do seu processo educativo. Trata-se de uma autoria que se estabelece através de uma construção interativa e significativa dos saberes e experiências, tornando-se sujeito ativo, participando dinamicamente e fazendo a sua própria história de forma consciente e livre; transformando, assim, sua realidade. Tal transformação acontece quando o aluno faz a leitura do mundo e atua de maneira humana, crítica e reflexiva.
Aprendizagem
Partindo do pressuposto que o Colégio Divina Providência fundamenta-se nos princípios e valores cristãos e humanos, acreditamos que a aprendizagem é algo que nasce a partir do desejo, que leva o homem a pesquisar, investigar, explorar em busca de saciar suas necessidades, transformando a sua realidade de forma dinâmica, recriando e reorganizando conceitos, crenças, valores, sentimentos, competências e habilidades. Nesse sentido, aprendizagem trata-se de um processo de conhecimento significativo que leva a autoria e autonomia dos aprendizes. Tais aprendizes, professores e alunos, ultrapassam barreiras através da troca de experiências e saberes.
Currículo
O currículo é um projeto que reflete o jeito de ser e de fazer da escola. Ele torna evidente as intenções e planos de ação a partir de um conjunto de estratégias organizadas e ordenadas com um propósito educativo levado à prática .
O currículo contempla a aquisição do saber, o desenvolvimento de competências e habilidades, atitudes formativas de maneira articulada. Por isso, torna-se um referencial, um instrumento útil e necessário para orientar a prática pedagógica pois fornece informação sobre o que, quando e como ensinar e, decorrente disso, como e quando avaliar.
A escola orionita, portanto, inserida na sociedade, não pode ficar alheia aos acontecimentos do cotidiano que atuam de modo direto e decisivo no processo educativo. O currículo deve estar organizado com o objetivo de formar cidadãos conscientes, ativos, participativos e críticos.
A escola deve apropriar-se das informações e dos meios tecnológicos provenientes da sociedade para transformá-los em conhecimentos. Conhecimentos estes que levam ao desenvolvimento integral da pessoa humana.
Planejamento
O planejamento traz a oportunidade de reflexão para elaborar e organizar estratégias de ação na prática escolar. É um momento de análise da realidade e diagnóstico das necessidades a fim de organizar uma intervenção político-pedagógica.
O planejamento da escola orionita é utilizado como uma ferramenta viabilizadora e facilitadora do processo educacional que contribui para o desenvolvimento de todos aqueles que estão vinculados à educação, levando-se em consideração as dimensões política, humana e técnica; subsidiando o professor no encaminhamento de suas ações a fim de que sejam significativas para o aluno na obtenção dos resultados desejados.
Conteúdo
É composto de fatos, conceitos, princípios (saber); procedimentos (saber fazer); valores, normas e atitudes (ser).
O conteúdo deve ser significativo e organizado; a fim de possibilitar aos alunos o desenvolvimento progressivo de suas competências; para que eles possam resolver problemas da vida cotidiana, ter acesso aos bens culturais e alcançar a participação plena e ativa na sociedade.
Avaliação
A avaliação deve ser um instrumento que permita a localização do aluno ou da instituição diante dos objetivos e planos estabelecidos.
A avaliação no Colégio Divina Providência não é entendia como o momento final de um período de atividades escolares, mas sim, como parte integrante do processo de ensino e aprendizagem, ou seja, tem caráter diagnóstico e processual. Diagnóstico porque permite ao professor acompanhar o desempenho e o desenvolvimento de seus alunos. Processual porque dependendo das dificuldades e avanços detectados na turma, o professor pode rever os procedimentos que vem utilizando e replanejar o seu trabalho, ou seja, redirecionar a sua prática pedagógica.
A prática da avaliação só vem a contribuir com o enriquecimento do processo, pois, mais do que quantificar por meio de uma nota, o professor passa a se preocupar e a se responsabilizar pela qualidade do ensino e pelo desenvolvimento da aprendizagem.
Com essa reflexão, não se exclui o desenvolvimento de processos formais de avaliação, desde que haja integração entre a metodologia e os conhecimentos dinamizados na escola. Deve ser entendida e compreendida sempre em função do desenvolvimento e crescimento e nunca como punição do aluno.
Entendemos a avaliação como meio de aprendizagem que tem como função auxiliar e orientar estudantes e professores sobre o modo como vêm utilizando suas capacidades e competências na compreensão dos conteúdos.
Nosso processo de avaliação deve permitir uma reflexão contínua sobre a prática, sobre certas estratégias e sobre a retomada de conteúdos, possibilitando por meio de atividades individuais e coletivas, aprendizagens cada vez mais significativas.
Metodologia
Metodologia é o conjunto de idéias e estratégias organizadas que visam atingir os fins propostos no planejamento. A metodologia dá uma referência de ação, ela orienta para o foco específico onde se desenvolve o trabalho pedagógico. Sua finalidade é, portanto, construir caminhos que possibilitem a aprendizagem .
O Colégio Divina Providência define uma metodologia própria, não especifica um único método que oriente o seu trabalho pedagógico. Todavia, se percebe que ao longo de sua história e tradição, sua identidade se configura mais voltada para metodologia que propõe o desequilíbrio e problematização em situações de aprendizagem, porém, não descarta nenhuma possibilidade de outros caminhos favoráveis.
Um ponto alto de nosso caminho metodológico é o afeto e a confiança. Nossa metodologia busca desenvolver entre todos os membros da escola (corpo docente e corpo discente) os sentimentos de afeto e confiança. Assim estamos atendendo ao apelo de Dom Orione, nosso fundador, que propõe o método Paterno-cristão.
Disciplina
O Colégio Divina Providência valoriza a disciplina como elemento que contribui para manter elevado o clima formativo, e que permite o bom andamento das atividades; é no interior de tal ordem que melhor se desenvolvem as capacidades dos alunos e melhor se desempenham e valorizam as potencialidades dos educadores.
Nossa disciplina busca o bem da coletividade. Para isso acreditamos que o afeto é via para construir uma relação de confiança e estabelecer princípios e regras que favoreçam o convívio coletivo. Contudo, permanece como princípio básico da disciplina o rigor no cumprimento do que é estabelecido para garantir que a ética, os valores morais e o respeito pelos outros sejam vivenciados e assimilados por todos, tornando os alunos pessoas responsáveis pela coletividade.
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